


"Na realidade nós não estávamos prontos"
Editor do Omelete, comenta como foi trazer para o Brasil eventos geeks e revela que havia uma incógnita para saber se iria convencer o público brasileiro.
Por trás de toda produção da CCXP, convenção brasileira de conteúdo geek, Marcelo Forlani co-fundador do Omelete e responsável por trazer a Comic Con Experience ao Brasil, abre as portas do estúdio e conta como foi todo o processo em trazer um dos maiores eventos de cultura pop para o público brasileiro.
[Larissa Araújo] Qual foi sua maior realização como um jornalista?
Jornalisticamente falando, eu acho que foi a criação do site que hoje não é apenas um site, é toda uma plataforma de comunicação, o Omelete.
Nós fomos evoluindo junto com a internet aqui no Brasil. No começo éramos apenas um site porém, com a chegada das redes sociais, tivemos que aprender a como estar presente em todas redes sociais, pois cada uma tem um estilo de comunicação diferente. Então, foi realmente essa mudança, estar sempre atento ao que está acontecendo e na vanguarda buscando ser o primeiro a fazer as coisas ou um dos primeiros.
[Mirella Silva] Vocês tinham receio de não dar certo?
Acho que nunca teve medo e sim um receio, nós fizemos o que gostávamos que é estar falando do que gostamos até hoje. Então não tinha medo de não dar certo, porque era com paixão que fazíamos e fazemos até hoje.
[Larissa Araújo] Como foi trazer, um evento tão grande para o Brasil, desde o surgimento da ideia até toda a experiência de concretização?
Nós fomos para San Diego pela primeira vez em 2007/2008, vimos o tamanho da Comic Con de San Diego e pensamos: “Isso aqui é muito legal, vamos fazer uma coisa dessa no Brasil” e voltamos com a ideia. Tentamos naquele momento fazer, iniciar conversas com os estúdios daqui pra fazer uma Comic Con no Brasil, só que nós não estávamos prontos.

Marcelo Forlani sorrindo / Foto Mirella Silva.
Até que em 2013 realmente sentamos e achamos os sócios certos pra levar essa aventura adiante. O primeiro contrato que assinamos para fazermos a primeira CCXP era de 15 mil metros quadrados, e pensamos: “Ah, 15 mil metros quadrados conseguimos fazer”, e no primeiro ano acabamos fazendo com 45 mil. Fomos crescendo enquanto estávamos produzindo.

Marcelo Forlani em ambiente de trabalho / Foto Mirella Silva.
[Larissa Araújo] Foi muito difícil convencer o público ou foi uma ideia que foi aceita desde primeira?
Essa era uma grande incógnita que nós tínhamos. Nós não sabíamos se as pessoas iam acreditar nesse sonho que estávamos trazendo para cá, porém já sabíamos que tínhamos um público bastante fiel com o Omelete.
[Mirella Silva] Falando em edições passadas, em 2017 teve uma edição no Nordeste, tem alguma possibilidade de voltar ou expandir a edição que teve no Rio?
Não, o que tinha no Rio era a Game XP, um evento voltado para a área de games, lá era quase um parque de diversões, então tinha, por exemplo, o Kart do Mario Kart. Por enquanto, temos planos de continuar aqui em São Paulo. Foi uma coisa muito boa fazer o evento lá em Recife, mas foi ao mesmo tempo muito trabalhoso deslocar muita equipe, muito esforço para lá. Isso acabou tirando o foco pra fazer outras coisas, então nós decidimos focar mais no nosso evento aqui em São Paulo.
[Larissa Araújo] Então como você disse que além das empresas e também dos artistas que vieram aqui sentiram a energia épica que a CCXP traz. Teve algum artista que você teve afinidade, fez amizade?
Uma das partes que eu mais gosto dentro da CCXP é a Artists’ Valley, onde ficam os quadrinistas, então ali tem muita gente, brasileiros e gringos. Eu leio quadrinho desde moleque, então são pessoas que eu conhecia os desenhos que eles faziam, das histórias que eles escreviam. E eu me tornei amigo de alguns deles que estão ali, acho que falar do Rafael Albuquerque, Gustavo Duarte, Marcelo Braga, Rafael Grampá, Camilo Solano, enfim, tem vários quadrinistas que hoje são pessoas com quem eu converso não só sobre “Ah e aí CCXP?”, mas falo também de vamos só sair pra tomar uma cerveja e falar sobre nada, entendeu?
Alguns eu conheci ou na CCXP ou na Comic Con de San Diego, no caso do Rafael Albuquerque por exemplo, e de artistas internacionais, não uma amizade, mas assim eu converso. Porém é diferente, ali não tem muito espaço até para você criar um laço,não é amizade mas é legal como você vê que as pessoas têm um reconhecimento pelo o que estamos fazendo, pelo tamanho que a CCXP alcançou nesse tempo todo, nesses 10 anos.
[Larissa Araújo] Nesses 10 anos, teve alguém que você ainda não conseguiu ou que foi muito difícil de trazer para a CCXP?
É que assim, tem muitos dos artistas que vem pra cá para promover alguma coisa que eles estão lançando, então a agenda sempre tem que bater também com a agenda pessoal deles e eles estarem promovendo alguma coisa. Por exemplo, os meus heróis do cinema seriam o Spielberg, George Lucas, porém o George Lucas está aposentado e já ele nem está fazendo nada, sempre tentamos: “Ah seu George, vamos lá pro Brasil, já que você está aposentado, vai lá conhecer os fãs”. Mas ao mesmo tempo eu tive oportunidade de falar com o Francis Ford Coppola, quando a gente fez a edição online durante a pandemia, então de alguma forma vamos realizando alguns desses sonhos.

[Larissa Araújo] Teve algum momento que você teve uma dificuldade muito grande no projeto da Comic Con que você levou como aprendizado para os outros anos?
Quando estamos fazendo um evento ao vivo muita coisa vai dar errado, o tempo todo, e isso é uma coisa que faz parte do estilo. O mais importante é você ter em mente que quem sabe que aquilo tá errado na maioria das vezes é só você e a equipe que tá fazendo junto, o público não vê, então assim, é um clichê mas você tem que fazer o show continuar, 'The show must go on', acho que esse é o grande aprendizado que a CCXP traz para nós.
Marcelo Forlani no terraço da agência / Foto Mirella Silva.
Seguimos o caminho não deixando isso transparecer, não caindo e nem reclamando,está todo mundo ali, ter energia tão boa, tão positiva, que não vai dar tempo de uma coisa que deu errado fazer nós pararmos para sentar e chorar, temos tantas coisas legais pela frente pra fazer, que seguimos fazendo.
[Mirella Silva] Teve alguma pessoa, empresa, processo que marcou a Comic Con?
Tivemos parceiros muito importantes na CCXP que foram os estúdios, então não vou falar nome de pessoas especificamente, mas são empresas que acreditaram e vieram viver esse sonho junto conosco de fazer uma CCXP. Nós tivemos uma visão, uma ideia, de que nós queríamos proporcionar experiências legais, diferentes e únicas pras pessoas.
Então a palavra CCXP, Comic Con Experience, o lance da experiência é muito importante para nós e as empresas que estavam junto conosco naquilo. Entenderam e proporcionaram junto essa experiência legal, e o público com certeza também é uma terceira parte super importante, o público que tem na CCXP é muito legal, é muito bacana, é muito amoroso e caloroso. Os artistas que vem pra cá, saem falando: “Nossa isso aqui foi a melhor coisa que eu vivi na minha vida”, James Gunn veio pra cá falando: “Nossa eu tô me sentindo um U2 andando aqui em cima do palco”. A Alicia Vikander, ganhadora do Oscar, veio pra cá pra falar de Tomb Raider, falou que foi a primeira vez que ela se sentiu uma estrela de verdade. Poxa, tudo isso é porque o público dá esse carinho todo pra eles, então a experiência é realmente positiva sempre pra todo mundo que tá lá.
[Thayssa Galdino] Já pensou ou já tem algum projeto de livro em mente, por exemplo, para contar como foi a formação da CCXP?
Livro… Não. Na verdade não. Isso é algo que não paramos para discutir, até poderia lançar este ano, a nossa décima edição da CCXP, temos já muitas histórias para contar. Mas para sentar e escrever um livro é trabalhoso, então acaba uma edição da CCXP e já começa a pensar na outra. Hoje mesmo, já temos alguns artistas planejados para 2024, então não dá tempo para parar e fazer, e estruturar um filme ou documentário, o quer que seja sobre essa história. Vamos ver talvez pros 25 anos.

Marcelo Forlani na redação após a entrevista com as entrevistadoras / Foto Mirella Silva.
[Thayssa Galdino] Além da Comic Con e outros eventos de games, você já pensou em criar outra convenção que agregasse outros nichos da sociedade?
Já pensamos, e sim, possibilidade tem. O mercado de cultura pop é bem grande e tem oportunidades para usar, porque aprendemos nesses anos todos para assuntos periféricos digamos do que gostamos também. Quem sabe no futuro.
Confira a entrevista completa.
Obrigado pela leitura :)